quarta-feira, 16 de abril de 2008



Escolhas de uma vida

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por
Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu.
Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o
destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando
outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou
chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está
abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase
impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se
um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um
momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem
compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir
embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma
microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e
responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com
laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as
alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados
de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se
está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão
importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os
outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta
e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas
intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve
reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a
vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é
curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e
maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50%
de chance de darem errado. A escolha é sua...!

Um comentário:

Paul disse...

Aninha..Interessante suas reflexões.. Somos sim responsáveis pelo que somos.. As vezes, há "agente externos" como doença, traumas, que influenciam muito nossas escolhas. Ou por vezes escolhemos em função de oportunidades únicas do tipo "take it or leave it".. E não escolher nada é uma decisão claríssima do tipo "deixar como estar para ver como fica"... Enfim.. é isso, prima.. bjs!


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Sao Paulo/SP, Brazil
Uma mulher inquieta, intensa, passional, desorganizada, sensivel, ansiosa. Outsider.