segunda-feira, 29 de junho de 2009

De profundis

"Estava lendo seus ultimos posts. Sabe o que eu acho de belo do que você escreve? É inocentemente dolorido. Beleza é fugaz, frívola, mas você produz um tipo de belo que supera a estética comum. É paradoxalmente um suspiro de constatação e um murro na mesa de revolta. É impactante, doido e a gente, mesmo não sendo masoca lê e dolorosamente agradece, porque é honesto. Eu realmente gosto do que escreve. "

"Repito o que disse, que acho as coisas que você escreve dolorosamente belas. Fala de espinhos, e nos faz amar as rosas. É bem bacana. "

"De certo modo é um pouco como escreve. Vc fala de medos, de incertesas e da "digna indgnidade" (ou "indigna dignidade? não sei) da vida. É visceral, por isso é bom. Nem tudo que é viceral é bom. Tem coisas que são meio vômito. Você é visceral E BOA."

domingo, 28 de junho de 2009

Antígona

Por Luis Felipe Pondé


“QUANDO NASCI, minha mãe deu à luz gêmeos: eu e meu irmão, o medo“. Hobbes teria dito isso. Sofro deste sentimento. Tenho muitos medos. Um deles é bem moderno: o medo de não ter os preconceitos corretos. Quais seriam estes? Ora, repito o óbvio: contra o cristianismo, contra brancos heterossexuais, contra os EUA.
Assim como normalmente a “perua” é a mulher de saia curta que não é nossa amiga, “reacionários” são os que ousam discordar das nossas tiranias de estimação.
Às vezes me pergunto: afinal de contas, por que supor que se você for negro você será essencialmente mais justo? Ou se você for homossexual, você será essencialmente mais democrático? Por que travestis ou transexuais merecem ter silicone e cirurgias “de graça”, enquanto diabéticos e pacientes renais morrem em filas?
Perguntas que não devem ser feitas à mesa de “pessoas de bem” no teatro ridículo da democracia contemporânea. Um bom exemplo é o culto ao “jovem”. Por que supor que movimentos de jovens são sempre “coisas do bem”?
O “jovem” não é propriamente uma invenção do século 20. Quando pensamos em “jovens”, temos em mente os jovens protestando nas ruas nos anos 60: hippies contra a guerra do Vietnã nos EUA, parisienses armando “barricadas do desejo” em maio de 68. Tanto num caso como no outro, ao final, todos voltaram pra casa, pedindo mesada ou procurando emprego. E por quê? Porque deixaram de ter 18 anos, tiveram filhos e contas a pagar. Mas esta não é toda a história, há mais do que isso, e esta história começa bem antes desses “espetáculos”, que nos legaram calças jeans e sexo livre, supostamente de maior qualidade.
O que é esse “jovem”? Figura originariamente romântica (século 19), o “jovem” nasce da ideia falsa de que exista um “gênio” específico no jovem (pessoas de mais ou menos 15 a 25 anos) que o diferencie moralmente e politicamente do resto da humanidade. Não acho que pessoas de 15 a 25 anos tenham nenhuma reserva moral ou política: são capazes de agir de má fé como todo mundo.
Seu comportamento não guarda nenhuma evidência de boa qualidade em si, podem cometer atos de opressão e manipulação como qualquer outra pessoa.
Não acredito no “jovem”. A forma mais certa de trairmos os mais jovens é deixá-los crer no “jovem”. Outra forma é tomar suas ideias e movimentos políticos e sociais como sinônimos evidentes “de um mundo melhor”. Seja como for, estes movimentos não são necessariamente defensores da liberdade.
Exemplos banais de como movimentos estudantis oprimem seus colegas e manipulam opiniões e esmagam diferenças enchem as páginas da paisagem histórica.
Ainda no século 19, o escritor russo Turguêniev, em seu livro “Pais e Filhos”, imortalizou a imagem do jovem arrogante e cruel em seu estudante Bazarov, exemplo do jovem niilista russo, capaz de destruir tudo em nome de seu autoritarismo libertário e científico -ainda que Bazarov, ao final, tenha o destino comum de muitos homens, o de ser derrotado pelo amor não correspondido de uma mulher.
Sabemos que movimentos estudantis aderiram aos fascismos modernos, perseguindo colegas e professores nas universidades europeias em nome da “nova saúde política”. Assim sendo, pergunto: por que devemos aceitar que exista uma “razão da idade” que faz alguém mais confiável só porque nasceu em 1990? A culpa, na maioria das vezes, é de seus professores (quando não dos pais que aderem a desculpas “da ciência da psicologia” para sua preguiça), muitas vezes pessoas amargas, orgulhosas e um tanto decadentes, que de dentro da sala de aula recriam um mundo à luz de suas pequenas manias teóricas.
Alguns dizem por aí que devemos “reformar a educação”; eu acho que a educação não funciona mesmo, por isso que a moda da “nova educação” sempre pega. Às vezes, milagres (gotas de consciência) ocorrem a partir da leitura de um livro ou da fala de um colega ou de uma professora, e normalmente estes milagres revisitam eternos dramas, por exemplo, o de Caim e Abel (a velha inveja) ou o de Antígona e Creonte (devemos ouvir a voz da consciência ou sucumbir ao medo da lei da polis?).
Sei que posso ser acusado de anti-intelectualista. Que assim o seja.
Prefiro me ver como aquilo que se chamava de “um homem de letras”, pequeno herdeiro de uma grande tradição que reúne a Bíblia e os gregos como seus ancestrais, que tudo deve a eles, e que pouco ou nada sabe além deles.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Personas muy gratas

Já imitei sotaque gringo com um funcionário do metrô, e ele foi super solícito, só faltou me carregar no colo. Sabe aquela cara de cachorro que caiu da mudança? Pois é, essa era a minha expressão.
E não faço isso para ridicularizar ninguém, é só uma maneira de me desenvolver, acabo abrindo outras possibilidades.
É o que os atores chamariam de laboratório.
Aliás, se pudesse escolher algo que amo de verdade fazer, seria atriz.
Adoraria andar com outra ginga, empostar a voz de um jeito novo, chorar o drama de alguém desconhecido, ou de uma personagem. Viver uma história completamente iverossimíl, falar russo, tocar harpa, atravessar o Atlântico a nado, morrer de amor, raspar os cabelos, afinar a voz, salvar o país, fugir dos nazistas, ser a primeira mulher a votar, dar à luz em uma caverna, viajar para a Mongólia, acordar de madrugada com as luzes e os sons da aurora boreal, tecer um tapete, fumar charuto, ser amante de Fidel Castro, rainha da Inglaterra e malabarista de circo...
A fantasia me encanta.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Depois de ter a Mel percebi quanto o lar e a família giram em torno da mãe. Isso é engrandecedor e honroso, mas às vezes cai sobre meus ombros uma pressão enorme.
Difícil estar afim de sorrir o tempo todo, não me parece muito natural. Por muito tempo condenei minha mãe por isso, mas hoje a entendo.
Não se pode abrir mão de todas as personas que somos em nome de um só papel. E isso me pesa um pouco pois sou cheia de idéias, penso muito, crio, desfaço e me reinvento freqüentemente.
Não há criação sem destruição, não há escolha sem perda.
Não especulo como seria minha vida em um outro lugar, tempo, espaço, contexto, mas...

Uma das musicas mais belas que ja ouvi

Casa Pré-fabricada

Maria Rita
Composição: Marcelo Camelo

Abre os teus armários
Eu estou a te esperar
para ver deitar o sol
sob os teus braços castos
Cobre a culpa vã
até amanhã eu vou ficar
e fazer do teu sorriso um abrigo

Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim
qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais

Vale o meu pranto
que esse canto em solidão
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela
primavera quer entrar
pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um canto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
que explique a minha paz
Tristeza nunca mais...

livros, livros, livros

Nesta embalagem voce encontra:

Minha foto
Sao Paulo/SP, Brazil
Uma mulher inquieta, intensa, passional, desorganizada, sensivel, ansiosa. Outsider.