
A Bela Junie.
Neste filme se vê o cinema francês em toda a sua sutileza, suas nuances e matizes. Um olhar transmite todo o vazio existencial da personagem afundada em conflitos, sem que o ator tenha que dizer uma só palavra. Talento e uma boa dose de sensibilidade dos que atuam, dos que escrevem, dos que dirigem e sim, dos que assistem também.
As vezes me pergunto se a arte é necessária. Não, a praticidade não responde a essa questão, mas a necessidade de expressarmos o oculto, o inexprimível, o sublime, o belo e o terrível que há em cada um.
O cinema me traduz, a música e a dança igualmente. Quem me retratou tão fielmente quanto Irvin D. Yalom em seu belo "Quando Nietsche Chorou"? Em que fonte buscou inspiração Janis Joplin ao cantar tão sofregamente "Little Girl Blue"? Que tipo de ser humano é capaz de ficar impassível diante de uma tela como "Water-Lilies" de Monet?
A arte resgata, dignifica o ser humano e o eleva.
A Verdade
Carlos Drummond de Andrade
A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metadeVoltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir quala metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,sua ilusão,sua miopia.

2 comentários:
Parece belo, Aninha.. Vou assistir.. Feliz 2009! Beijos
Ótimo texto e ótimo poema do Drummond também! Parabéns!
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