quarta-feira, 8 de abril de 2009

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Você não levou embora só seus discos, seus livros e sua bicicleta. Você levou minha paz. Levou com você meu bom senso, minha criatividade e alegria. Deixou aquela herança que todos recusam, mas polidamente deixam escondida em um fundo de armário. Seus medos, sua indecisão, sua inaptidão, sua letargia e sua melancolia ficaram. Insitem em morar comigo, me acompanhar por onde ando, se infurnam nos cantos da casa. Saio por aí e o vejo em outros rostos. Me assusto e ao abrir bem os olhos, enxergo o desassossego. Os lugares que freqüentávamos estão cheios de vultos que passam e me cumprimentam, mas nunca os conheci. As viagens que fizemos são monótonas, a estrada perigosa, o destino indiferente. Das suas roupas fiz minhas cortinas, meus lencóis, minhas toalhas, meus cobertores. Seu cheiro está se perdendo e em vez disso um ranço de amargura toma conta. O gato foi embora e a planta morreu.
Aqui em casa está tudo bem, obrigada.

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Sao Paulo/SP, Brazil
Uma mulher inquieta, intensa, passional, desorganizada, sensivel, ansiosa. Outsider.